quarta-feira, 4 de março de 2015

A chuva no Sertão

A chuva no meu sertão
Inspira muitos poetas
Quando raios feito setas
Vem apontando o chão.
De longe vejo o clarão,
O seu ribombar na mata,
E a chuva caindo exata
Ouço-a ela escorrendo
Pelas grotas vai enchendo
Açude, rio e cascata.
-*-
Parecendo chaminé
A nossa Serra fumaça
Nuvem escura ameaça
Molhar o nosso Pajé.
Vem da cabeça ao pé
Nevoeiro do nascente
Pra aguar a semente
Do humilde agricultor
Que agradece ao Criador
Por não esquecer da gente.
-*-
Roçado fica vindouro
Nasce pastagem pro gado
Todo animal criado
Engorda seu cabelouro.
Acho bonito o louro
Fazer ninho no cupim
Bem-te-vi no beija - mim
Enche o papo e faz pigarro,
E a casa do João de barro
Nem chuva grossa dá fim.
-*-
Tem cavalo relinchando,
Tem gaguejo de capote,
Pano em boca de pote
Água da cacimba coando.
E o peru só girando
Dando volta no terreiro,
O cheiro do marmeleiro
Vem atraindo a mutuca,
Que chupa, morde e cutuca
O cachorro perdigueiro.
-*-
Gangalha com cambiçote,
Um jegue emparelhado
Para levar ao roçado
Correndo que dá pinote.
O balanço do seu xote
Tem ritmo, desenvoltura,
Ajuda na lida dura,
Com seu dono manda brasa
Ajuda a levar pra casa
Os frutos da agricultura.
-*-


Só se ouve o sabiá
Cantando num pé de cerca
Sem se recorda da seca
Que o fez para de cantar,
E todo pássaro que á
Cedo logo da matina
Alegra toda campina,
Emociona o sertanejo,
Dá pra ver o lagrimejo
De alegria nordestina.
-*-
Pra todo canto que olhar
Tem algo pra descrever,
Em todo amanhecer
Com orvalho se molhar.
Nunca canso de esperar
Todo ano o inverno.
Mandado pelo Paterno
Eu descrevo em cordel
Mais não cabe em papel
Inspiração do Eterno.

#PoetaCordelistaRosenoOLiveira

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