terça-feira, 25 de setembro de 2012

O Valor do Jumento












Rei dos Reis, Gênio dos Gênios
Senhor todo soberano,
Daí – me força, inspiração,
Esclarecendo meu plano
Pra falar de um animal
Amigo do ser humano.
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Estrela que me guia,
Luz da minha existência,
Também conto com vocês,
Consedei–me inteligência,
Pra falar desse animal
Que desafia a ciência.
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Caneta, papel na mão,
E já munido de rima,
Lembrando certo ser,
Que pouca gente estima
Porém tem grande importância
Na história Nordestina.
X
Bicho esse que além
De ajudar o Sertão,
Contribuiu claramente
Na história da Nação,
E também fez grande feito
Em prol da religião.
X
Pra resumir o roteiro
O leitor fique atento,
Esse importante animal
Merece reconhecimento,
Por isso que vou mostrar
Todo O Valor do Jumento.
X
O jumento é um animal
Que tem um pequeno porte,
Trabalha com um cabresto,
Uma esteira no congote,
E por cima uma cangalha,
Com mais quatro cambiçote.
X
Tem uma Cia que pega
Por baixo dele acochando,
Um rabicho ao pé do rabo,
Todo tempo incomodando,
Dum lado e doutro uma carga
Botam pra ele ir levando.
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O nome varia sempre
Do dono que tem um gosto,
Baleco, Jubileu,
Apaixonado, Cravo Roxo,
Rouxinol, Possante, Jegue,
Ou então é de Arrocho.
X
Depende também da cor
E da marcha que ele bate,
Tem apelido de Mancha,
Terno Branco, Abacate,
Flor do Campo, Marchador,
Ou até Cú de Alicate.
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Seguindo em frente o assunto
Já no desenvolvimento,
Vou começar bem de longe
Com o início dos tempos,
Mostrando o quanto ajudava
A força de um jumento.
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Depois de posto as rédeas
E de ser domesticado,
Sua força era preciso,
Pra lidar com o pesado,
Em todo trabalho duro
Ele estava do lado.
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Mesmo na Grécia Antiga
Ele lá já existia,
Ajudava o homem pobre
Mas, do lazer não curtia,
Inclusive o Imperador
Dele tinha serventia.
X
Da Grécia pra cá nós vamos
Um pouquinho mais além,
Para Roma, Galiléia,
Bater em Jerusalém,
Lugares em que o jumento
Trabalhava em prol do bem.
X
Era bom no que fazia
Sempre juntinho do povo,
Obedecendo ao dono
Nem precisava de estorvo,
Com ele veio mudanças
Melhoras em tempo novo.
X
O jumento tem no lombo
Um sinal feito em cruz,
Pois nele montou – se um homem
Que marchou rumo à luz,
Pra nos mostrar o caminho
O nome dele é Jesus.
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Foi construída a Nação
Que diz ter Ordem e Progresso,
E hoje se glorifica
Propagando seu sucesso,
Só não lembra que o Jegue
Fez parte desse processo.
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Quantas vezes o homem
Pegou o seu animal,
Botava estrada a fora
Levando um peso brutal,
Comboios por todo Estado
Por um preço desigual.
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No Nordeste o jumento
Já sofreu escravidão,
Mais nunca negou o sustento
Da família, dando o pão,
Trabalhava e às vezes
Recebia ingratidão.
X
No Nordeste, o jumento
Sofria com o seu dono,
Se o fazendeiro os tratasse
Com certo ar de abandono,
Só veria o que comer
Em sonhos, no próprio sono.
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Jumento o qual me faz
Escrever com atenção,
Foi quem também inspirou
O Grande Rei do Baião,
A ele fez homenagem
Com uma composição.
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Animal que suporta
A prolongada estiagem,
Que aguenta a maior
De toda e qualquer viagem,
Que junto ao sertanejo
Enfrenta a desvantagem.
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Acompanha o homem simples,
Com seu rincho marca a hora,
Rincha quando é pra ir,
Rincha para vim embora,
Não tem paradeiro certo
A distância ele ignora.
X
De burro não tem nada
É muito inteligente,
Não turva a água que bebe
É um animal descente,
Burro é o ser humano
Nem pra isso é consciente.
X
Leva peso e não reclama,
Mais isso ainda é pouco,
Passa sede, passa fome,
É tratado como louco,
De tanto rinchar socorro,
Já está ficando rouco.
X
Ajuda no roçado,
Bota água pra beber,
Carrega a lenha que vai
Cozinhar o de-comer,
Puxa a carroça, coitado,
Sem nada poder dizer.
X
Serve ainda de transporte
Para quem quer passear,
Leva o agricultor
Aonde for trabalhar,
Traz a colheita pra casa
Sem nenhum frete cobrar.
X
É também a brincadeira
Do menininho mimado,
Tem uma figura importante
Na cultura do reisado,
E que faz abrir o riso
Daquele que é mais zangado.
X
Findando aqui a história
Deixo uma pergunta ao leitor,
Depois do que foi passado
Algo lhe foi chamador,
De atenção, e pergunto
O Jumento tem valor?
X
A meu vê, claro que sim,
Só se deve ter cuidado,
Prender eles pra não ver
Morto ou atropelado,
Ou em forma de linguiça
Vendida lá no mercado.
X
Meu tempo está esgotado
Só quero ter a certeza,
Que vão zelar o jumento
Sem usar de malvadeza,
O jumento é nosso irmão
Diz a lei da natureza.

(fim)

Autor: Roseno Oliveira

Data: 27/07/2009