sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

A VIDA COMO ELA É. História de Vida e Morte de Ligiane Marques Ximenes


Inspira meu pensamento
Jesus, Maria e José,
Ilumina minha mente
Com amor e muita fé.
Todo dia e toda hora
Dando o título dessa história
A VIVA COMO ELA É.
*
Pois o homem estuda tanto
Mais nunca vai entender,
O tal segredo da vida
De sofrimento e lazer.
Para nós é incomum
E o que tem pra cada um
Só Cristo é quem vai saber.
*
A cada dia que passa
Meu tempo vai encurtando,
Não sei o dia e a hora
Nem o mês e nem o ano.
Mais quando a hora chegar
Eu tenho que aceitar
A ordem do Soberano.
 *
Vou dar início a história
Mais tarde você entende,
Que a poesia é um dom
Não se compra nem se vende.
Agora eu entrei no parque
Falo de Conceição Marques
E José Valderi Ximenes.
*
Este casal de quem falo
Fez esta história eu contar,
São filhos de Lisieux
Mais quiseram se afastar.
Seguiram pra outro foco
Morar em Nova Metrópole
Em Caucaia Ceará.
      *
Vivia um casal feliz
Valderi negociando,
Com um pequeno comércio
A cada dia enfrentando.
Conceição, esposa honesta,
Naquela lida doméstica
A sua casa zelando.
       *
Nasceu um casal de filhos
Como Deus lhes ordenou,
O Cleber foi o primeiro
Trazendo um ardente amor.
Naquele belíssimo dia
Seus pais sentiram alegria
Quando a criança chegou.
     *
No ano de oitenta e cinco
Veio o término da família,
Em oito de fevereiro
Uma linda estrela brilha.
Conceição se encheu de amor
Quando viu aquela flor
A sua querida filha.
*
Com o nome de Ligiane
Os pais mandaram batizar,
Recebeu a luz de Cristo
Seus padrinhos a segurar.
Daquela bela criança
Pros pais só resta lembrança
De um dia se encontrar.
   *
A criança foi crescendo
Com muita dignidade,
E os seus papais lhe dando
Amor com sinceridade.
Mais a história é quem diz
Não tem quem seja feliz
Como se diz de verdade.
*
Com os seus dezoito anos
Aquela jovem querida,
Sua mãe via ela estudando
Mas, bastante entristecida.
Cada dia que passava
Sua mãe se preocupava
Com sua filha querida.
  *
Levou Ligiane ao médico
Pra ela se consultar,
O doutor pediu exames
Pra melhor justificar.
e quando justificou
foi a mais surpresa dor
para os seus pais suportar.
*
Os diagnósticos mostraram
Nódulos grandes, volumoso,
O doutor disse pro pais
Bastante silencioso.
Eu não vou lhe enganar
A sua filhinha está
Com o fígado canceroso.
     *
Conceição naquela hora
Começou o seu sofrer,
E perguntou para o médico
- O que o senhor vai fazer
Com minha filha querida?
Eu quero vê-la com vida
Não deixe ela morrer.
   *
O doutor disse – lamento,
Mais nada eu posso fazer.
Só através de um transplante
Para o quadro reverter.
Vou lhe falar consciente
tem dez na sua frente
Para o órgão receber.
        *
Valderi e Conceição
Começaram desmaiar,
Sem ter outra solução
A tendência era esperar.
Contrito de coração
Em corrente de oração
Começaram então rezar.
*
Enquanto seus pais rezavam
Por sua filha querida,
Jesus contava as horas
Pra jovem fazer partida,
deste mundo de pecado
pra um paraíso sagrado
reviver a nova vida.
   *
Os pais notavam que a filha
Estava se deteriorando,
Seus olhos perdendo o brilho
Suas carnes liquidando.
Aumentava a cada dia
No seu semblante se lia
Seu final se aproximando.
       *
No ano dois mil e quatro
Foram os momentos finais,
Vinte e sete de setembro
Ligia não resistiu mais.
Neste momento intranquilo
Deu o seu último suspiro
E um adeus pros seus pais.
        *
Você imagina a dor
Para os seus pais suportar,
Aquela estrela tão linda
Que veio pra iluminar.
Quando menos se esperava
Entre os seus não mais estava
Veio sua luz se apagar.
*
Vinte e oito de setembro
A Lígia foi sepultada,
Na sua terra natal
Lisieux, terra adorada.
Tudo ali se consumou
E no túmulo de seu avô
Ela ali ficou guardada.
*
Naquele dia marcante
Seus pais tristonhos chorando,
No céu um coral de anjos
Comemoravam cantando.
Perguntando o nome dela
Aquela linda donzela
Já no céu se aproximando.
  *
Pois a vida é deste jeito
Não podemos controlar,
Tem a hora de viver
E a hora de terminar.
Mais só quem sabe é Jesus
É o caminho, é a Luz
Nem vem nem manda avisar.
  *
Agora caros leitores
Antes da reta final,
Por favor, preste atenção,
faça um silencia geral.
Convido todos vocês
Ler pela primeira vez
Uma carta espiritual
*
A carta que está aí
Vem da eterna mansão,
De uma jovem que enviou
Com muita dedicação.
Lá das mansões divinais
Para seus queridos pais
Valderi e Conceição.
     *
Na carta assim tá escrita,
Saudações, mamãe querida!
Vocês dois são minhas joias
Perfumada e colorida.
Não os esqueço um segundo
Vocês me trouxeram ao mundo
E Jesus me deu a vida.
   *
Embora tão pouco tempo
Que Deus me deu pra viver,
Cedo mandou me buscar
E eu tive que obedecer.
Saí das travas pra luz
Muito obrigado Jesus
Valeu a pena eu nascer.
      *
Quero dizer pra vocês
Que não foi minha vontade
Deixar o mundo terrestre
Ainda na flor da idade.
Onde feliz eu estava
E com vocês desfrutava
De uma plena liberdade.
*
Mais quando cheguei aqui
Eu tirei a conclusão,
Que o mundo material
É tremenda ilusão.
O lazer se transforma em treva
Que a liberdade só leva
A caminho da perdição.
*
Faz doze anos e dois meses
Que vim pra eternidade
Somente agora este ano
Foi que eu tive a liberdade.
Neste dois mil e dezesseis
Escrevi para vocês
Pra matar minha saudade.
   *
Mãezinha aqui estou bem,
Mais a saudade é demais.
Tive apenas uma chance
Pra escrever pros meus pais.
Portanto, digo a vocês
Não vai ter mais outra vez
Não vos escreverei mais.
    *
Fui recebida com festa
Ao chegar no resplendor,
Os anjos me abraçando
Cantando hino e louvor.
Com um sorriso profundo
Por eu ter deixado o mundo
Que só tem pecado e dor.
*
Mãezinha aqui não tem noite
Tudo é no clarão do dia,
Um paraíso tão lindo
Só reina paz e alegria.
Tenho ao lado três arcanjos
E uma centena de anjos
Me fazendo companhia.
  *
Cleber, meu irmão querido,
Minha cunhada, meu “subrim”,
Um abraço em cada um
Zele bem nossos “paizim”.
Venha de onde vier
Faça tudo que puder
Por você e também por mim.
      *
Papai vi você doente
Tristonho e desconsolado,
Pedi implorando a Deus
Com o coração transformado.
Deus te enviou uma luz
E pelas mãos de Jesus
O Senhor está curado.
     *
Pois a vida aí na terra
É cheia de tanta surpresa,
Com lazer ou sofrimento
Com mágoa dor e tristeza.
Mais quando vier pra cá
Tudo isso vai mudar
Lhe afirmo com certeza.
*
Mãezinha termino a carta
Pra não te causar vexame,
Vocês zelem um pelo outro
Sejam forte, não reclame.
Deus guiará os seus passos
Pra vocês um forte abraço
Da tua filha Ligiane.

 FIM!

     Lisieux, Santa Quitéria - CE.
         06 de dezembro de 2016

Autor: Afonso Vasconcelos