sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A Conquista dos Vaqueiros

“Senado resgatou uma dívida com os vaqueiros”, diz Renan - Foto: Jonas Pereira




Oh! Senhor onipotente
Nosso Pai Celestial
Com emoção agradeço
Nessa data especial
A conquista dos vaqueiros
Nosso herói nacional.

Agora é constitucional
Nosso vaqueiro afoito
Com direitos garantidos
Vai pegar boi de açoito
Luta que ele iniciou
Desde o século XVIII.

Mesmo no século dezoito
Época ainda precária
O vaqueiro fazia coisas
Digo que extraordinária
Tornando sua função
Excepcional e lendária.

De desafio ou diária
Pegar boi é seu trabalho,
O patrão necessitava
Desse seu desembaralho
Só o vaqueiro conhece
Cada folha em cada galho.

E sem nenhum atrapalho
Pra pegar boi na caatinga
Só ele que tem as manhas
Só ele que tem a ginga
E do barbatão mais veloz
Ele conhece a mandinga.

Com uma pequena moringa
De água para beber
Passa o dia inteirinho
De solo a solo a correr
Não bebe por não ter tempo
A luta tem que vencer.

E para se defender
Tem na cintura uma faca
Pra cortar xiquexique
Tirar “fuleipa” de estaca
E fazer remédio caseiro
Com raiz, folha e casca.

Protegendo como casaca
Feito de couro, o gibão,
Guarda-peito e perneira
De couro de criação.
Chapéu e bota de couro
Usando por proteção.

No trabalho do sertão
Na lida vida de gado
Faz tudo que o patrão manda
Cobrando-lhe resultado
Dava o sangue pra fazenda
Sem ter direito a agrado.

Agora está mudado
O ex-vaqueiro esquecido
Depois de anos de luta
Tornou-se reconhecido
Amparado pela lei
Com direito garantido.

Agora está protegido
E pela lei, amparado,
Desde sua segurança
Estando bem equipado
Com carteira assinada
E de vaqueiro aposentado.

Vai ta tudo registrado
Adicional de insalubridade,
Seu adicional noturno,
Também periculosidade,
Contando com horas extras
Pra sua comodidade.

A PEC dá igualdade
Ao vaqueiro do sertão
A igualar seu trabalho
Perante a legislação
No senado foi aprovado
E Dilma já deu sanção.

Roseno Oliveira