sexta-feira, 25 de março de 2016

Poeta Zé Artur: Meu Sertão Bonito



(Poeta Zé Artur)


Meu sertão eu ti adoro
Eu não posso disprezae
Terra de muita fartura
Pra quem quiser trabalhar
No sertão tem-se de tudo
Se súber aproveitar.
*
No sertão não vê zuada
Só canto de passarinho
Só se pode conversar
Lá na casa do vizinho
E quem quizer vida boa
Susegue no seu cantinho.
*
Neste sertão só si ouve
O canto da siriema
O gimido da sigarra
Lá nos galho da jurema
O cupido lá na seuva
Com seu bonito puema.
*
Acho bunito as uvelhas
No patê dando pinote
E um terreiro enfeitado
Pato, galinha e capote
E o bufado dos bodes
Lá emcima do serote.
*
Acho bunito a cantiga
Do galo marcando a hora
Acordo não durmo mais
Até o ronper da aurora
Com o cante dos canpinas
E o brado da ciricora.
*
Bunito e eu dou valor
Cortar um queijo de faca
Pegar a caneca e o baude
Tirar o leite das vaca
De bota e chapéu de couro
Vistido com uma cazaca.
*
Acho as galinha bunito
Lá no canto saniando
Muito ovos com fartura
E os pintinho tirando
E a muler satifeita
Sua fazenda aumentando.
*
Acho bunito um chiqueiro
Com 4 ou cinco sevado
Se dando milho e baiando
E tudo bem vacinado
É fartura do sertão
E tudo dá rezutado.
*
Acho bunito o inverno
Quando ele vai comesar
O calor vapora a terra
As águas pega aumentar
O bardal saneia e põe
A coam pega a cantar.
*
O nuvueiro aumenta
Cubrindo emcima da serra
O relampo culareia
Truvão estremece a terra
O caponez animado
Até as uvelhas berra.
*
Acho bunito uma planta
Das Carrera apulumada
Achuva caindo emcima
A terra toda molhada
E o ligume nacendo
A terra bem emfeitada.
*
Bunito quando se chega
No asero do rossado
Com o inverno caindo
O milho bem bunecado
O lavrador se anima
Trabalha mais animado.
*
Muito bunito um rossado
A gente sente aligria
Não cancã de trabalar
Lutando de dia a dia
Todo emfeitado de fruta
De melão e melancia.
*
Na rossa eu tem sinpatia
Foi nela que me criei
Da rossa eu tudo disfruto
Nela sempre apruveitei
Lutei deramei suor
Um paumo de terra comprei.
*
Hoje já me apuzemtei
Isto é direito que eu tinha
Eu nunca pude enricar
Mais sempre ando na linha
Dou di cumer a família
Zelo bem minha filinha.
*
Quando eu pego a canetinha
Também fasso puizia
Gosto também da cultura
Não tenho tempo de dia
Mais sempre escrevo a noite
Pra mim quem aprecia.
*
Meu sertão da sipatia
De tudo tem buniteza
O meus campo fulorado
Eu amo tua beleza
Quem trabalha no sertão
Sempre adora a natureza.
*
Sou pueta sem defeza
Ninguém nunca eu valor
Mais eu nunca tive inveja
De formado e nem dotor
Sou um pueta da rossa
Pele queimada mão grossa
Mas sou m agricultor.
*
Eu findei com muito amor
De não puder aumentar
Não falei nem na mtade
Que o meu sertaozim dá
Eu termino esta história
Mais o que eu tem na mimória
O meu tempo não vai dá.
*
Diculpem de eu errar
Já estou ruim pra escrever
Eu moro em lisieux
Mais gosto de trabalhar
Eu trabalho di vagar
Por cauzo da minha idade
Ainda tenho saudade
De fazer o que eu fazia
Eu fasso pouco no dia
Mais tenho felicidade.

Fim!

2012

Palavras do autor: (Sou fan da puizia, gosto de escrever quando tem tempo, sou do trabalho da rossa e gosto mais não posso mais, estou fracassando, fasso ainda pouco. Passo uns dias no sertão e sempre presto atenção das cauzas bunita do inverno).