sexta-feira, 12 de abril de 2013

MORTE DE ROBÉRIO






Oh! Senhor, onipotente
Seja a mão que me conduz
Em nome do Pai, me guie,
E em nome de Jesus,
Abençoe Espírito Santo
Este cordel em todo canto
Pra ser símbolo que reluz.
 *
O ser humano é uma luz
Que nasceu para brilhar
Que pelos planos divinos
Demora pra se apagar.
Mas, o mundo é tirano
Não concorda com esse plano
E teima em contrariar.
 *
A história que vou contar
Não tem efeito ou montagem
É a mais pura verdade
De uma traiçoeira viagem.
Mais que um cordel, esta é,
Uma demonstração de fé
E uma sincera homenagem.
 *
No mundo não há coragem
Nem amuleto de sorte
Nem cabra bom destemido
Que se conheça mais forte.
Que chegue a desafiar
E que consiga escapar
Do tabuleiro da morte.
 *
E foi sofrendo o corte
Da morte e seu mistério
Que o jovem Alailton
Viu de perto esse hemisfério.
Debateu-se com o perigo
E perdeu o seu amigo
O jovem alegre, Robério.
 *
Descrevendo com critério
Tal lamentosa memória
Deixo o jovem Alailton
Numa pausa provisória.
Robério entra em pauta
Sendo que a sua falta
É o foco dessa história.
 *


Relembrando a trajetória
Desse amigo incomum
Aos vinte e três de abril
Do ano noventa e um
Nasceu com muita saúde
De um casal de virtude
Que igual não vi nenhum.
 *
A notícia, o zum, zum, zum.
Espalhou-se bem ligeira
Tinha nascido Francisco
Robério de Paiva Vieira.
Sendo ele a novidade
Da sua comunidade
Que é a Fazenda Barreira.
 *
Antonio Torres Vieira
Conhecido por “Bartó”,
Francisca de Assis Paiva Vieira
Tinham um grande xodó.
São os nomes dos seus pais
Que ao filho não verão jamais
E não há coisa pior.
 *
Na garganta o mesmo nó
Que não desse nem desata
Sente seu irmão Rodrigo
E a sua irmã Renata.
Quando lembram do irmão
Não seguram a emoção
Vem a saudade e maltrata.
 *
Robério, pessoa exata,
Tinha amigos de montão
Era bastante querido
Em Barreiras e região,
Sempre foi muito caseiro
Nunca que foi encrenqueiro
Nem de arranjar confusão.
 *
Tinha em seu coração
A paixão por futebol
Jogava em qualquer tempo
Faça chuva ou faça sol.
Ele quando um gol marcava
Chega seu olhar brilhava
Mais do que o arrebol.
  *
Nem a força de uma Patrol!
Dizia ele prozista,
É tão forte quanto nós
Da raça “rubronegrista”.
Do seu time era orgulhoso
Falava sempre ditoso
Por ser um bom flamenguista.
 *

Corinthians de Barreiras

Também contava na lista
Do futebol amador
No Corinthians de Barreiras
Foi titular jogador.
Nos times da região
Sempre na escalação
Foi de bastante valor.



 *
Também foi agricultor
Ajudou muito a seus pais,
Fosse à roça, em casa,
Lidando com os animais.
Cuidou, deu conta de tudo.
Concluiu o seu estudo
Visando outras coisas mais.
 *
Os seus planos principais:
Ter a sua independência,
Ajudar sua família,
Ter as coisas com decência.
Foi quando a oportunidade
De trabalhar na cidade
Veio-lhe por preferência.
 *
Tomou logo a providência
De não deixa-la escapar
Na cidade de Sobral
Começou a trabalhar.
Aos fins de semana vinha
Visitar sua terrinha
Pra curtir e descansar.
 *
Mais não dá pra imaginar,
O que virá mais a frente.
E no dia dezessete,
De dois mil e treze corrente,
Local e data marcada
Foi forte a revirada
Na vida deste inocente.
 *
Como era comumente
Seu modo particular
Suas folgas semanais
Não deixava escapar.
E sempre um amigo de lado
Pra ir bem acompanhado
Qualquer fosse o lugar.
 *
Da esquerda pra diereita, Pai, mãe e Robério
E nesse pra lá e pra cá
Sem desvio ou arrodeio
Foi pro seu interior
Apreciar um torneio.
Como era costumeiro
Convidou seu companheiro
E o mesmo também veio.




 *
Saindo do jogo, a passeio,
Foram direto pra Ingá,
Uma corrida de cavalos
Estava havendo por lá.
Foi Alailton e Robéro
Sem saber que algo mais sério
Estava a os esperar.
 *
Não tardou pra terminar
Pois prado é muito ligeiro
Ainda cedo da noite
No referido roteiro
Deram umas voltas nuns bar
Só para cumprimentar
A um, a outro parceiro.
 *
E antes que o ponteiro
De seus relógios marcasse,
O tardar do anoitecer
E muito tarde ficasse.
Quando chegou bem na hora
Dos dois já irem embora,
Entre si teve um impasse.
 *
Robério disse: - Me passe,
Alailton o guidão!
E é agora que Alainton
Entra em cena e ação.
O mesmo disse: - Não dou,
Daqui pra frente eu que vou
Fazer nossa condução.
  *
Robério lhe disse: - Não!
Agora eu vou dirigir.
“Tô” cansado da garupa
E quero me distrair,
Você já guiou bastante
Não folgou nenhum instante
Do torneio até aqui.
 *
E para não discutir
Alailton entregou
A condução a Robério
Que tanto solicitou.
Daquela moto Titan
Que encurtaria o amanhã
Que Robério planejou.
 *
Então Robério pegou
A moto e saiu guiando
Saíram rumo a Forquilha
Muito ligeiro e quando,
Iam perto da Rasteira
A morte vã, traiçoeira.
Já tava lhes esperando.
 *
Na outra mão vinha passando
Um carro que encadeou,
Com luz alta, os meninos,
Quando o reflexo passou.
Nenhum sentido deu toque
Que tinha na frente um reboque,
Foi lá que a moto barrou.
 *
Quando a moto tombou
Deu uma bancada dura,
Quebrou de Alailton o braço
Fazendo-lhe arranhaduras.
Como Robério ia à frente,
A bancada brutalmente
Deixou-lhe várias fraturas.
 *
De Robério, as estruturas,
De sustento corporal,
Quebraram feito palito
Com a pancada brutal,
Clavícula, braço, perna, fêmur,
Quebrou tudo ao extremo,
Crucialmente fatal.
*
Para ir ao hospital
Teve uma tarda demora
Sendo que o fato ocorreu
Por volta das nove horas.
Uma hora se passou
As dez o SAMU chegou.
E o seu quadro só piora.
 *
Daí começa agora
Lutar por sobrevivência.
Das fraturas que sofreu
A de maior violência
Atingiu sua cabeça,
Forçando pra que pereça,
Sugando-lhe a resistência.
 *
Com luta, com persistência,
Inconsciente enfrentou
O maior dos desafios
Que na vida encontrou.
Pelejou até o fim
Sofreu muito e mesmo assim
Seu corpo não suportou.
 *
O dia que nos deixou
Eu nunca hei de esquecer
Dezoito de Fevereiro
Ele veio a falecer,
Do ano dois mil e treze.
E no seu caso, às vezes,
Só Deus para socorrer.
 *
Toda a família a sofrer
Chorando inconformada
Seus irmãos se lamentando
Sua mãe desesperada
Seu pai em anestesia
Sem Robério, a alegria,
Nunca será completada.
 *
Sua ultima caminhada
Fez todo mundo chorar,
Amigos sofriam juntos
De tão grande o pesar
Em cada olhar, cada rosto,
Predominava o desgosto
Com muita lágrima a banhar.
 *
Infelizmente não dá
Mais pra ele ir ao sertão.
Trabalhar, ver os amigos,
Competir no Fazendão.
Provar da safra madura
Num ano bom de fartura
Nem cuidar da criação.
 *
Seu time do coração
Não pode mais vê jogar,
Os seus finais de semana
Que saia pra brincar.
Sono ruim que nunca acorda.
Os que ficaram recorda
Sua amizade singular.
 *
Muita falta nos fará
Robério e sua amizade,
Lamento, não pude está,
Em qualquer formalidade
Que relembrasse seu fim,
Pois Robério para mim
Viverá na eternidade.
 *
Deixando-nos com saudade
Só resta nos conformar,
Com graça divina, ele,
Hoje está num bom lugar.
Onde não há sofrimento,
Nem choro, nem lamento,
Só glória e flores por lá.
 *
Por cima de nós sei que estará
E nós, embaixo aqui estamos,
Vamos sempre relembrar
As pessoas que amamos,
Nosso futuro é incerto
Pode estar longe ou perto
Mas, visita-lo um dia vamos.
 *
De fato, não acostumamos,
Ainda com a dor da perda.
A cada dia que passa,
Vai encurtando a vereda.
Só não vamos fazer arte
Preconizar nossa parte
Antes que Deus nos conceda.
 *


Porém a malvadeza
Convive entre a gente
A irresponsabilidade
Essa reina Plenamente.
Do pequeno ao mais alto
No sertão, cidade, asfalto,
Já matou muito inocente.
 *
Uma coisa é consistente
Logo quero ressaltar
No caso aqui presente
Devemos fundamentar.
Que mesmo querendo ou não
Nosso ato ou decisão,
Podem nos prejudicar.
 *
Deus jamais ia deixar
Tal coisa acontecer
Mas, em certas circunstancias,
Pendem a favorecer.
Por falta de algum cuidado
Deus já nos dá o resguardo,
Cabe a gente obedecer.
 *
Como manda o dever
Se o reboque encostasse
A beira do acostamento
E o outro carro passasse.
Com luz baixa a quem viria,
Conosco ele estaria
Sem sua morte a contar-se.
 *
Se ao menos, ele usasse,
Para sua segurança
Um capacete no dia,
Teria mais esperança
E chance de sobreviver.
Infelizmente vamos ter
Esta amarga lembrança.
 *
E para nós a herança
Que Robério nos deixou
Valerá muito o exemplo
Que para mim ensinou.
Valorizar cada instante
Cada momento marcante
Tudo que tenho e que sou.
 *
Amigo, você marcou,
A vida de todos nós
Fostes verdadeiro exemplo
Seja aí a nossa voz.
Deixou-nos de forma drástica
Más, porém foi a mais prática.
De demonstrar um herói.
 *
Quem lhe ama hoje constrói
Um álbum de recordação,
Um quadro seu na memória
Com você no coração.
Os seus pais a cada dia
Olham pra onde dormia
E lhe dão sua benção.
 *
Toda nossa região
Guardará como homenagem
Cada ação e trabalho
Que fizeste com coragem.
Espere por nós aí
Quando o Senhor decidir
Vai mandar nossa passagem.
 *
Receberá as mensagens,
Por meio de orações,
Tu serás sempre lembrado
Em distintas ocasiões.
Tua amizade é tão profunda
Que no coração inunda
Um rio de emoções.
 *
No meu peito aflora as emoções
Relembrar de você caro amigo
Como eu, muitas pessoas,
Recordam os momentos contigo.
Só quero que o mundo todo ouça,
Deixo pra sua família força
Deus console e aqueça seu abrigo.
 *
Esse fardo nunca será antigo
Cada dia presente ele estará
Ao lembrar cada coisa que amava
Tua família vai sempre recordar.
Cordialmente tiro meu chapéu
E com este meu singelo cordel
Dizer a família, meu pesar!
  *


Nada que façamos o trará
A este mundo outra vez.
Resta-me então registrar
Dizer que sempre estarei,
Ao lado da sua família
Que minha poesia hoje partilha
Da mesma dor de vocês.
 *
Pra Alailton, eu bem sei,
Como deve ser difícil
Topar com a morte à frente
Como que um sacrifício,
Foi Robério executado.
Quem não fica conturbado
Vendo tanto malefício?!
 *
Outro grande precipício
É se a justiça deixar,
O dono daquele reboque
Dessa culpa se livrar.
Seria uma pena injusta
Pra família a causa custa
Infelicidade em seu lar.
 *
Risonho de talento singular
Orgulho-me por tê-lo conhecido
Buscaremos nunca te esquecer
Exemplo de vida a ser seguido.
Rubricastes no peito do poeta
Intitulá-lo em rima foi à meta,
Ocioso, espero ter conseguido.

Francisco Robério de Paiva Vieira


Fim!


11/04/2013

Roseno Oliveira
Fazenda Olho D’água dos Cassimiros.
Forquilha – Ce. Brasil.